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Algoritmos, pensamento binário e o beco sem saída

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Se você é um jornalista, comunicador, sociólogo ou analista político, em algum momento nos últimos três ou quatro anos, provavelmente parou para refletir sobre o acirramento de ânimos cada vez mais presente nas discussões e exposições pessoais nas redes sociais. No Brasil, experimentamos esse fenômeno com maior intensidade nas eleições presidenciais de 2014. E ele de alguma forma acabou sendo associado ao momento político delicado, supostamente enviesado por antagonismos ideológicos. Chegou-se a atribuí-lo mesmo a um efeito dominó de insatisfação popular, que começara um ano antes, nas manifestações de junho de 2013.

Se servia para o cenário brasileiro, isso não poderia explicar, no entanto, o fenômeno similar que aconteceria a seguir em outras partes do mundo. O Brexit… A improvável eleição de Donald Trump… E não, não digo isso do ponto de vista das escolhas em si, mas da FORMA como as pessoas se agarraram a essas escolhas. Da voracidade com a qual passaram a defendê-las. Mais ainda, embebidas num caldo turvo que acabou ganhando nomes pós-modernos, como pós-verdade, fakenews, como se fossem necessárias novas definições para a mentira e a manipulação.

Correntes de pensamento legítimas passaram a digladiar-se num território fértil onde falta conhecimento

No processo, correntes de pensamento legítimas, à esquerda ou à direita, passaram a digladiar-se num território fértil onde falta conhecimento, conteúdo e contexto, mas sobra a ironia rasa, baseada na exacerbação dos defeitos do outro, na caricatura da opinião alheia. Chegamos à era da informação fácil, ao ápice do cidadão broadcaster; gerador de conteúdo, tanto quanto consumidor. O que era para se transformar numa maravilha proporcionada pela tecnologia virou na essência algo tão superficial e desolador que sua melhor manifestação visual ganhou o nome de meme…

É bem verdade que as ideias não nasceram do vácuo. Elas já estavam aí. Apenas permeavam espaços de silêncio que os inocentes úteis evitavam ultrapassar. E evitavam por conhecerem a própria inaptidão para juízos contextualizados. Por vergonha de exporem suas entranhas concatenadas a partir de lógicas desestruturadas.

Mas o que houve para que os espaços de silêncio se rompessem dando lugar à atual gritaria insuportável de intolerância e agressividade? Apenas uma coisa – uma das grandes – mudou e vem mudando tudo nos últimos anos: a Internet. Mas não qualquer Internet. A Internet da conexão permanente, do celular conectado, do acesso fácil que liga em redes (sociais) indivíduos de todo o planeta e faz com que eles se agrupem em grupos segundo seus interesses, gostos, opiniões e similaridades.

Por acaso a vilania acabou sendo atribuída ao Facebook, por sua natureza de socialização dos contatos; mas poderia ter acontecido com qualquer um de seus antecessores ou concorrentes. Como de fato acontece, nas longas e infrutíferas discussões de todo espaço aberto a comentários da Internet.

O fenômeno foi abordado a partir do conceito que ficou conhecido como filtros-bolha: a opção dos indivíduos por determinados conteúdos e opiniões apenas reforçaria aquilo que eles já sentem, fazem ou pensam. Nas plataformas digitais, isso cria filtros que retroalimentam as mesmas escolhas, criando um círculo vicioso. Os usuários são menos expostos a pontos de vista conflitantes com os seus, e por isso são isolados intelectualmente em suas bolhas de informação e cultura.

No entanto, o problema é bem maior. Os filtros-bolha são apenas um efeito, não a causa.

Primeiro, é preciso avaliar qual foi a grande mudança de fato trazida pela Internet nos últimos, digamos, 10 anos. Não foi comunicação rápida, que já existia desde o rádio e a TV. Ou a interatividade, que surgiu praticamente junto com a Web, há 20 anos. Tampouco as redes e mídias sociais, que já eram redes sociais quando duas ou mais pessoas se reuniam em roda de conversa ou numa assembleia sindical. Elas apenas não eram digitais.

Os filtros-bolha são apenas um efeito, não a causa.

Provavelmente não foi qualquer uma dessas mudanças. A verdadeira novidade da socialização em rede, na era digital, é que esse processo passou a ser organizado não por pessoas, por mediadores, mas por algoritmos!

Um dos primeiros a identificar o problema foi o ativista político estadunidense Eli Pariser, autor de “The Filter Bubble”. Ele é o co-fundador e chefe executivo da Upworthy, presidente da MoveOn.org e co-fundador da Avaaz.org.

Cada vez mais, nas plataformas digitais, as interações humanas, das nossas relações de amizade, interesses de consumo a avaliações de crédito e de saúde, têm sido administradas por porções de códigos e peças equivalentes a programas de computador. Eles determinam exatamente o quê e quando vamos ver.

Os anônimos criadores desses algoritmos, certamente bastante versados em linguagens de programação, matemática e ciências correlatas, atualmente concebem-nos de tal forma pretensiosos que chegam a tentar estabelecer, por antecipação, que notícia mais nos interessará, com quem potencialmente teremos mais afinidade ou até que prato provavelmente vamos preferir num restaurante. Mas as ciências das relações humanas, da política à sociologia, não integram o código. São reconhecidos apenas os padrões.

Agora pare e pense sobre como trabalham os computadores. Por mais complexos que sejam, todo hardware e software até hoje concebido foi programado para reduzir as unidades computacionais a zeros e uns. Ainda não temos, em aplicações práticas, computadores quânticos, lidando com estados intermediários. Todo o fluxo de dados atual em algum momento é reduzido ao código binário. Essa é a língua nativa dos computadores e da programação.

Não bastasse a linguagem natural das AI’s (inteligências artificiais) por trás das decisões algorítmicas, outro fator é a própria matemática. Um algoritmo atuando pode até estabelecer um leque de decisões estratificadas por probabilidades. Mas a sobreposição de algoritmos, com dezenas, centenas de cálculos para a tomada de decisões probabilísticas, fatalmente tenderá a reduzir os grupos que são objetos de decisão a um ou zero. A redução, ou o arredondamento, é essencial para análises a partir de BigData. É o equivalente à fatoração das opiniões.

Algoritmos levam à polarização e pensamento binário

Eis aí o grande problema dos nossos tempos. O acúmulo de decisões baseadas em algoritmos ao longo do tempo fará com que cada vez mais diferentes perfis psicológicos, sociais e políticos sejam agrupados em apenas dois conjuntos. Ou um indivíduo é, ou não é.

O reflexo disso é a polarização, o acirramento do pensamento binário.

Nos últimos anos, algumas pesquisas tentaram dissociar o extremismo das discussões políticas do uso de redes sociais e dos algoritmos. Foram analisadas comunidades onde apenas 20% das pessoas faziam uso regular das redes sociais ou da internet, indicando que a radicalização dos discursos ali poderia não ter influência da rede. Mas trata-se de uma afirmação pretensiosa. A influência de 20% da amostra não pode ser desprezada. Além disso, dificilmente a pesquisa conseguirá aferir a influência indireta das redes sociais, a partir dos meios de comunicação e da exposição da comunidade a notícias e posicionamentos de veículos que já enquadraram, sem saber, suas opiniões e notícias no processo algorítmico.

O acúmulo de decisões baseadas em algoritmos fará com que cada vez mais diferentes perfis sejam agrupados em apenas dois conjuntos.

Em suas palestras e análises, Pariser chama a atenção dos expectadores para a urgente necessidade de pressionarmos as grandes empresas de tecnologia para adoção de novos modelos. Uma das ideias seria o resgate da figura similar à dos editores, nos veículos de comunicação. Como curadores de conteúdo, com background cultural apropriado, diversificado, e um pensamento não binário, talvez fosse possível oferecer a um público ávido por informação, conteúdo rico o suficiente para contemplar visões mais amplas e complexas do mundo.

É uma possibilidade. Não sei se suficiente. Hoje, não só a informação de fontes confiáveis, mas TODO O CONTEÚDO produzido pelo usuário, é oferecido à aldeia global a partir de algoritmos. Talvez seja tarde ou não tenhamos mais curadores de conteúdo o suficiente. E a menos que a solução seja confiar nosso futuro a uma próxima tecnologia de IA quântica, para o futuro próximo, é provável que tenhamos entrado num beco sem saída.

*Jeferson Martinho é jornalista, CEO da Nova Onda Comunicação.

Como sua propaganda local ou digital podem gerar resultados reais?

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O crescimento da Internet trouxe uma avalanche de mudanças, muitas delas ainda em construção. Os veículos de mídia tradicionais estão perdendo espaço e relevância. Alguns mais rapidamente do que outros, é verdade, mas é notória a decadência geral. Se você tem entre 30 e 40 anos, pergunte-se com que frequência ainda vê a TV aberta? Ou mesmo TV por assinatura? Quantos jornais assina ou compra em banca? Quantas vezes, fora o período em que está no trânsito – e ainda assim se não for entusiasta de podcasts – ouve rádio diariamente? Se tem entre 18 e vinte e poucos, seus principais ídolos e referências certamente tiveram muito mais vídeos visualizados no YouTube ou menções no Twitter ou Facebook do que entrevistas publicadas em jornais ou revistas.

Veículos de mídia tradicional na maior parte do tempo estão sendo pautados por discussões que começaram nas mídias sociais. Não o contrário. Governos e gestores gastam mais tempo preocupados em responder a estímulos das redes sociais do que a demandas da mídia tradicional.

Em grande parte essa mudança aconteceu nos últimos cinco anos (apenas!) por causa de uma tecnologia disruptiva que não foi exatamente prevista: a chegada dos smartphones. Os gurus da comunicação chegaram a antever parcela da importância que a Internet ganharia, mas ficaram em geral restritos à épica disputa entre computador e TV, tentando prever quem assumiria o controle da sala de estar.

No final, erraram. Nem um, nem outro; tampouco algo híbrido. Chegou um aparelhinho que cabe na palma da mão, juntou a Internet, a TV, o rádio, a máquina fotográfica, a filmadora. Deu ao usuário poder de interagir, consumir e produzir conteúdo em qualquer lugar e a qualquer hora. Desbancou as previsões mais futuristas dos gurus.

E como a propaganda ficou nessa história?

Se há um conceito que não se alterou – e nem deve se alterar significativamente em muitos anos – é que a propaganda ainda é a alma do negócio. Ainda mais em tempos de crise. A grande mudança no processo é que ela ganhou uma série de novas plataformas, formatos e possibilidades.

Percebendo a oportunidade, as empresas de tecnologia e portais de todos os tipos, dos mecanismos de busca às criadoras de redes sociais, trataram de criar ainda mais espaços de publicidade. AdWords, Facebook Ads, impulsionamento, post patrocinado, publieditorial etc. E como todo sistema com múltiplas escolhas, encheu de dúvidas os departamentos de marketing, os gestores, as agências e os responsáveis pela gestão de comunicação das empresas, das micro às multinacionais.

Os negócios maiores, de escala nacional ou global, saíram na frente, atirando para todos os lados. E continuam fazendo isso. Fracionaram ainda mais os budgets, determinaram escalas de importância e, em muitos casos, métricas mais eficazes de ROI (retorno sobre o investimento) para dar peso a cada mídia.

Mas e os negócios regionais e locais, como ficaram? Para estes o buraco é mais embaixo…

Como decidir qual propaganda funciona para o meu negócio?

Os gurus da propaganda e entusiastas da Internet desde cedo alardearam as vantagens da propaganda digital. A maravilha do e-commerce, o pensar e agir global e muitas outras. Pergunte ao dono ou gerente de marketing da loja de roupas do shopping, do mercadinho da esquina (sim, ele sobreviveu à globalização) ou da construtora do novo conjunto de apartamentos do bairro. Eles serão unânimes em reafirmar o mantra da importância da Internet, da propaganda digital e coisa e tal. Mas por quê e, mais importante, como? Neste momento as opiniões serão muito díspares. Porque os gurus esqueceram de ponderar algumas coisas.

É por isso que a loja de roupas, o mercadinho ou a construtora local estão fazendo coisas absolutamente diferentes em publicidade, mas na grande maioria das vezes da mesma forma: na base da tentativa de erro e acerto.

De fato, não existe uma fórmula mágica de propaganda digital. Mas existem algumas variáveis que é importante conhecer para decidir onde e como investir.

Qual a escala de seu negócio, quem é e onde está seu potencial cliente?

Nem sempre maior exposição é garantia de sucesso. Antigamente o empresário decidia de forma mais simples. Para além dos grandes circuitos de mídia e, portanto publicidade, havia a TV local, o rádio e jornal da cidade com preços muito mais razoáveis do que os surreais praticados pelos grandes veículos. Funcionava bem. Mas agora que os consumidores estão migrando de plataforma, consumindo mais conteúdo no celular, a mídia impressa reduzindo tiragens (principalmente os grandes jornais e revistas), a equação ficou muito mais complexa.

Sabendo que seu negócio tem uma escala regional ou local, e seu maior concorrente não está em outro estado ou outro país, oportunidades de mídia locais ainda são a melhor alternativa. Tão ou mais eficientes que o anúncio em papel na revista ou no jornal local, talvez o site da revista, o site do próprio jornal local ou o portal de notícias da região possam oferecer um ROI bem maior do que aquele grande portal de notícias (que continua com preços surreais).

Onde está seu cliente? Longe? Disposto a pagar frete? Ou interessado em visitar a sua empresa, negociar condições exclusivas, tratar olho no olho e, quem sabe, virar cliente fiel e amigo do dono? Mais de 80% dos negócios tradicionais ainda se baseiam em clientes típicos do segundo exemplo. O cliente está muito mais perto. Se informa pelas redes sociais e portais, mas liga no telefone fixo (ou manda Whatsapp) para obter mais informações antes de fechar uma compra. Mas aí está você pensando que faz um excelente negócio publicitando em AdWords e aparecendo no topo da pesquisa por alguns minutos do dia, ou com banners aparecendo naquelas posições marginais que um ou outro portal de conteúdo reservam para esse tipo de anúncio.

Está claro porque o resultado na maioria dos casos será muito aquém do esperado… Seu banner vira paisagem. Nem mesmo se aproveita da suposta credibilidade do grande portal, pois que o site ou jornal local têm muito mais propriedade para referendar um vizinho.

Como pensa seu consumidor típico?

O consumidor pensa localmente. Não é à toa que, quando busca uma residência nova, se preocupa em saber que tipo de comércio funciona nas redondezas. Quais serviços terá à disposição se precisar? Por mais racionalidade que possa haver no ato, consumir é muito mais uma decisão impulsiva, ou urgente, do que calculada. A menos que o serviço ou produto que ele busca tenha uma especificidade muito grande, ou preços muito mais vantajosos em grandes portais de ecommerce, os tempos de decisão e compra do consumidor ainda serão em sua maior parte baseados em proximidade. Trajeto até em casa, facilidade de troca, a confiança de ver, provar e testar; a comodidade.

Ah, mas a busca e a entrega dos anúncios geolocalizadas pelo Google ou Facebook resolvem! Será mesmo?

Tem certeza de que o seu orçamento é páreo para competir, num leilão de espaço de um grande portal, com o orçamento daquela gigante do seu segmento? Sim, aquela que gasta milhões para publicitar em todo o país? Será que suas chances de captar um lead não serão maiores investindo (algo similar ou pouco maior do que aquilo que você reservou ao Google) num anúncio maior e mais destacado em portais de conteúdo local, bem visitados?

Aprenda a trabalhar com métricas

É curioso perceber que pequenos e médios negócios, desde o tempo do anúncio no jornal, até os atuais na Internet, ainda não se entenderam corretamente com as métricas. Aquela estratégia de “leve este anúncio e ganhe x% de desconto”, ou equivalente, que deveria ser obrigatório (na falta de qualquer coisa melhor) para aferir resultados e conversões, ficou muito mais fácil com a publicidade digital. O site da sua empresa, seu contato por email, Whatsapp ou mesmo por telefone, permitem hoje com muito mais facilidade identificar a origem e o caminho do lead para determinar a eficiência da sua publicidade.

Ainda é impressionante a quantidade de campanhas diretas ou criadas por agências circulando na Internet sem fazer a menor ideia do que é um código de rastreamento. Se não planejar essa medida, o real retorno de seu banner, post patrocinado ou publieditorial será diluído entre os resultados de outras ações. O efeito colateral mais danoso disso é fazer sua percepção esbarrar numa avaliação genérica de que “não dá resultado”, desmotivando novas ações de sucesso em mídia digital.

Boa parte dos sites locais e de nicho oferecem esse recurso aos anunciantes. E, mesmo quando não oferecem, sempre é possível usar ferramentas simples e até gratuitas como URLs preparadas, landing pages e o próprio Google Analytics ou o Facebook Ads.

Trabalhar corretamente o Facebook

Uma das grandes ferramentas de publicidade dessa nova onda ainda é, inegavelmente, o Facebook. Agências e gestores de comunicação têm com ele uma espécie de relação de amor e ódio, por causa de suas constantes mudanças de algoritmo e edge rank. Na prática, isso faz com que as estratégias mudem constantemente, mudem formatos de anúncios ou requeiram maior investimento na amplificação de campanhas.

Apesar disso, via de regra, um conceito básico também não muda: aumentar sua visibilidade passa por injetar recursos e impulsionar publicações. Mas o resultado pode ir do fracasso total ao sucesso retumbante a partir de alguns “detalhes”. A definição correta do público alvo, a delimitação geográfica, e o alcance das páginas ou posts impulsionados contam de maneira decisiva.

Com a possibilidade de cruzar mídias como portais locais na Internet e suas páginas de Facebook, o fato é que o mesmo recurso investido numa página própria da empresa pode ter um alcance muito maior quando alavancado a partir de um influenciador local, pelo expediente do post patrocinado ou conteúdo publieditorial. Para campanhas de fixação de marca, tanto melhor ainda pela transferência de credibilidade entre veículo e anunciante proporcionada pela ação.

Seja como for, a Internet é, e continuará sendo, uma grande ferramenta de comunicação e publicidade. Tanto mais quanto melhor for o conteúdo de carrega a propaganda. Por isso, quando pensar em definir sua próxima campanha, em busca de resultados reais, tenha certeza de não desperdiçar as oportunidades que os portais de conteúdo locais, os blogues e influenciadores regionais podem proporcionar. Tanto no mundo online quanto off line.

Jeferson Martinho é jornalista e diretor da agência de comunicação integrada Nova Onda Comunicação.

Razões para você ter medo da redução da maioridade penal

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Um dos aspectos mais preocupantes no debate sobre a redução da maioridade penal é o fato de que as pessoas estão se posicionando de um lado ou de outro a partir de argumentos prontos, pasteurizados por uma imprensa sensacionalista que busca audiência transformando a tragédia diária num espetáculo de horror. Mas você realmente parou para pensar sobre o tema, de forma calculada?
É curioso como a grande mídia neste caso tem um papel importante, embora não assumido, na condução das opiniões a favor da redução da maioridade penal. O sensacionalismo depende de emoção e, de fato, sob essa condição, é compreensível que qualquer notícia de crime cometido por menor cause comoção e sentimento de revolta no “cidadão de bem”.
Mas extraindo-se o apelo emotivo dessa bandeira, há de fato razões objetivas para defender a redução da maioridade penal? Ao pensar analítico, é quase certo que não. Mas não pelas mesmas razões que deixam raivosos aqueles que logo lançam mão do argumento infantil tradicional “está com dó, leva pra casa”, ou “direitos humanos para humanos direitos” e que tais. As razões são bem mais viscerais.
Qual caso a televisão vai mostrar sem parar?

Quem vira notícia? (Crédito: www.desajustado.org)

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O mensalão e a armadilha ética

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redimensionaA-209x300Eu li boas partes da Ação Penal 470. Vários extratos, íntegras, resumos, anexos que circularam nos mais diversos meios. Não, não li os autos na plenitude. Mas tive acesso a bastante material. Me ative demoradamente aos argumentos de acusação, defesa e embasamento de decisões. Assisti às (espetaculares) sessões da Corte, o Supremo Tribunal Federal. E, fundamentalmente, eu conheço profundamente como funciona a máquina política. Por isso contínuo perplexo com o desfecho do processo que acabou chamado “mensalão”.

Quem pesquisou um pouco mais a respeito, logo percebe que a alcunha “mensalão” fez dar ao caso um sentido que até o final não restou provado. Sedento por justiça, cansado de políticos corruptos e de saco cheio de ser feito de palhaço porque tudo acaba sempre “em pizza”, o brasileiro médio fala e reproduz o termo “mensalão” sem verdadeiramente saber o que significaria: a alegação de compra de votos, sistemática, no Congresso, com dinheiro público supostamente desviado por meio de corrupção.

 

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O novo Marketing Eleitoral nos novos tempos da Lei da Ficha Limpa

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A chamada Lei da Ficha Limpa, como ficou conhecida a Lei Complementar 135/2010, transformou as eleições municipais de 2012 num campo de batalha judicial. Conquanto a determinação da aplicabilidade ou não da lei para um candidato seja um critério exclusivo da Justiça, a nova legislação teve um impacto definitivo no planejamento e execução de todo o marketing das campanhas eleitorais.

Dado o alto número de candidatos com problemas de rejeição de contas e outros processos que fizeram deles alvos da aplicação da Lei da Ficha Limpa, diversas cidades tiveram processos eleitorais bastante complicados, dependendo de decisão judicial para o prosseguimento de cada etapa da campanha.

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Toque de recolher em Osasco: boato

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No meio desta noite (25), um boato começou a se espalhar rapidamente no Facebook. O Rodrigo, nosso diagramador no Jornal Visão Oeste pergunta — vocês estão sabendo do toque de recolher em Osasco? Caramba! Não!
A informação era de que criminosos teriam decretado toque de recolher em Osasco. O alvo seriam bairros da zona sul, próximos ao Pestana. A escolha do local não seria à toa: dias antes um bar no bairro tinha sido palco de um ataque por bandidos em motos que mataram 3 pessoas e deixaram outras 5 feridas. O objetivo parecia ser um único sujeito, mas os matadores covardemente mataram também uma mãe que abraçou a filhinha de apenas 7 anos e evitou que ela levasse três tiros, além de outro homem que, segundo a história veiculada, nada tinha a ver com o acerto de contas.
Esse pano de fundo provavelmente serviu de lenha para alimentar a histeria coletiva que se instalou nesta noite. A fonte primária era a Internet. Um perfil público de fãs da cidade dizia que a Delegacia do Pestana teria recebido denúncia anônima avisando do toque de recolher. E todo mundo estava repassando assim a informação.
Estudantes — que deixaram suas escolas nos horários habituais — foram para a rede depois de chegar em casa com histórias sobre encerramento de aulas mais cedo ou fechamento de faculdades e universidades…
Com a esposa e duas filhas preocupadas em casa, fui direto à fonte da informação: a Delegacia do Pestana. É fácil confirmar (ou descartar) esse tipo de boato. Uma ligação. Foi o bastante para o plantonista atender, às 22h30, e afirmar que não havia lá qualquer informação de ataques ou denúncia anônima. Tudo calmo.
Mas até aí, a rádio peão já tinha se encarregado de espalhar o caos…
Como postei no Facebook, o problema desse tipo coisa é a origem da fonte da primeira informação. As pessoas que recebem a história precisam parar e se perguntar, a elas próprias, se ouviram de alguém que ELE PRÓPRIO tinha visto, em primeira mão, o autor das ameaças ou algo equivalente, ou se, como sempre, ouviram OUTRO ALGUÉM QUE TERIA DITO. Faz a maior diferença…
PS. Enquanto termino estas linhas, o amigo José Ricardo, que fez com o grupo OzBikers o tradicional passeio ciclístico das quintas-feiras, informa que acaba de chegar depois de pedalar por toda a cidade com o grupo e nada viu de anormal. Tudo calmo, de novo, na terra de Oz…

“Eleitor de malandro”

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O folclore (e o machismo) brasileiro criou, no passado, uma figura de linguagem discriminatória que vez ou outra se pode ouvir até nos dias atuais, apesar da Lei Maria da Penha: é a “mulher de malandro”. Eternizada na voz de Francisco Alves, a mulher de malandro sofria nas mãos do parceiro, do qual não conseguia se separar. Era exposta a toda sorte de humilhações. Naquela época, malandro tinha uma conotação diferente. Não era bandido. Era o preguiçoso, que não provia o sustento da casa. O boêmio que curtia a vida nos bares; homem de muitas mulheres, que não cumpria com suas obrigações para com o lar ou a família. E, apesar disso, suas parceiras, oficiais ou amantes, não conseguiam deixá-lo.
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Wikileaks talvez seja a prova que Stallman não exagerou

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Richard Stallman

Richard Stallman, por Gisleh, no Flickr

Quando Richard Stallman, guru xiita do software livre, diz que usar o Chrome OS (ou qualquer sistema onde todos os dados do usuário estejam nas núvens) é uma estupidez, talvez ele não tenha dito um completo exagero. A maior prova disso é provavelmente a perseguição do governo norte americano ao site Wikileaks e seu fundador, Julian Assange.

Mas o que tem a ver o Wikileaks e a computação na nuvem? Nada. Os documentos, que têm cópia offline, físicas, podem migrar de um servidor para outro, podem ganhar centenas, talvez milhares de “espelhos”, justamente porque não se apoiam numa solução centralizada, do tipo caixa preta.

Em última análise, é esse tipo de solução que o Google – ou qualquer outro sistema de “nuvem” – vai prover. E não há garantias de que um sistema desse, em caso de contenda legal, não sucumbirá à pressão de um governo ou de alguma corporação obscura.

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  • novembro 2017

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