Urna_eletronica

 

“Vemos que toda cidade é uma espécie de comunidade, e toda comunidade se forma com vistas a algum bem, pois todas as ações de todos os homens são praticadas com vistas ao que lhes parece um bem; se todas as comunidades visam a algum bem, é evidente que a mais importante de todas elas e que inclui todas as outras tem mais que todas este objetivo e visa ao mais importante de todos os bens; ela se chama cidade e é a comunidade política” (Aristóteles, “Política”, 1252ac).

A Política anda em baixa no conceito do brasileiro. Alvo de toda sorte de ataques, alguns merecidos, outros não, a classe política está acuada, preocupada. E engana-se quem acredita que esse efeito recaia sobre uma ideologia a ou b. No final, o conceito de Política, que é repetidamente dita como a mais nobre das atividades humanas, é quem sai chamuscado. E, por tabela, perde-se o entendimento aristotélico de que a política, exercida pelo “animal político” homem, visa o bem.

Neste cenário a visibilidade da atuação ética e correta de políticos éticos (sim, eles existem!) ganha ainda mais importância. Uma importância que desdobra-se em diversos planos e finalidades. Primeiro, por manter acesa a chama da nobreza e da atuação no melhor espírito do interesse público. Uma condição que, por consequência, renova a esperança na humanidade. Segundo, por espelhar princípios que podem alimentar e pautar novas gerações de políticos corretos. E, claro, a finalidade sobre a qual se debruça este texto, que é pavimentar o caminho para ganhar a próxima eleição.

Planejar para ganhar uma eleição não é pecado. Nem engorda. Numa democracia, a participação do povo sobre as decisões acerca do futuro da cidade, do estado e do país encontra no pleito, e no exercício do voto, seu ponto culminante. E tanto melhor será esse exercício quanto maior a exposição do cidadão à informação a respeito dos candidatos.

Para um político que já exerce mandato, tanto quanto mostrar o que se propõe a fazer no próximo período (quando chegar a hora, ou seja, a lei eleitoral permitir), é fundamental prestar contas do que já fez no exercício que se encerra. Melhor ainda se esta prestação de contas for continuada. Porque nenhum eleitor suporta o candidato de véspera. Sim, aquele político de carteirinha, dignatário de um mandato, que só (re)aparece na véspera de uma eleição, cheio de realizações, propostas e projetos que ninguém soube, ninguém viu.

Sem fazer propaganda pessoal — afinal, elogio em boca própria é vitupério, lembra o provérbio português — é perfeitamente possível e necessário, ao longo da atuação, dar visibilidade aos seus projetos e suas ações. Mas há de se ter o cuidado de não antecipar o pleito, nem plataformas de campanha eleitoral. A regra é clara: essa pessoa configura propaganda extemporânea, e causa cassação de candidaturas.

Outra dica de ouro: nunca use dinheiro público. Primeiro porque, afinal, estamos falando aqui para um político correto, não é mesmo? Depois porque vai custar ao cidadão privado, potencial pré-candidato, bem pouco. Basta incluir essa preocupação na ordem do dia e no orçamento. Chega a ser uma forma de prestação de serviços. Funciona até como maneira de estabelecer canais para se permitir ser cobrado, ser criticado, ouvir a comunidade e transformar isso em novas ações para fortalecer a atuação política.

Convenhamos, pode nem custar nada. Temos hoje a internet, blogs, redes sociais. A imprensa tradicional, nacional, regional e local, sempre ávida por novidades. Materiais impressos e caminhadas nas feiras e rincões podem ser um plus, é evidente. O fato é que, somadas, certamente essas iniciativas ajudarão na cristalização da certeza, para o eleitor, de que já fez a escolha correta uma vez e poderá tranquilamente fazer de novo. Mesmo que caiam as coligações ou seja aprovado o voto distrital, misto ou distritão, numa eventual reforma política que se avizinha. Mas ai já é tema pra outro texto…