Há cerca de trinta dias aproveitei uma oferta do hipermercado Extra e mudei meu hardware. A idéia era ampliar a quantidade de espaço em disco e melhorar um pouco o desempenho. Não sou um “gamer”, ávido por recursos 3D em uma supermáquina, mas algumas características da antiga máquina, um CCE básico com processador Celeron, já estavam pedindo reforço.

Hoje em dia a oferta de notebooks de baixo custo, sobretudo de três empresas — CCE, Positivo e Sim — é muito grande. E meu último notebook me fez perder definitivamente o preconceito em relação às máquinas baratas dessas marcas: o desempenho, proporcionalmente às suas configurações, não foi lá muito diferente de um Acer e um HP anteriores.

O que há de se ter em mente é que não se pode comprar um equipamento desses esperando desempenho para jogos. Eles foram feitos para atender ao usuário que precisa de acesso à rede, suítes de edição de textos e planilhas, mas nada muito pesado. No geral, essas maquininhas aguentam o tranco quando o assunto é vídeo, desde que não esteja interessado em rodar um vídeo codificado com um codec matroska em full hd (1920×1080).

A geração passada dos notebooks baratos — a geração da minha máquina anterior — baseada em processadores celeron da linha M, não diferia das das máquinas de marcas famosas nos quesito CPU. Mas pecou por usar componentes de qualidade duvidosa: chipsets de vídeo SIS problemáticos, placas wireless de desempenho pobre, baterias de apenas três células, entre outros itens. Isso foi um problema sobretudo porque a maioria dessas máquinas era vendida com sistema Linux, que tem problemas históricos de incompatibilidade com alguns desses componentes. Não por culpa do Linux, claro: a fabricante das placas SiS, por exemplo, até hoje não liberou um driver 3D compatível com as distribuições mais recentes e comuns de Linux.

Mesmo no Windows, por deficiências na forma como lidam com a memória (compartilhada), esses chipsets não estavam isentos de problemas.

A diferença em relação à oferta de máquinas baratas agora é que os fabricantes, ao que tudo indica, acrescentaram compatibilidade à equação na negociação por componentes. Com isso esses equipamentos, no geral, chegam ao mercado com placas de vídeo Intel, hardware wireless melhor aceito (principalmente no Linux). Mais ainda, muitas dessas máquinas já vêm com baterias de 4 ou 6 células, garantindo um maior tempo útil sem precisar de uma tomada para recarga.

Um equipamentos desses, dependendo das configurações, pode ter preços na casa dos 3 dígitos, bem próximo dos netbooks mais básicos, que ganham no tamanho reduzido mas têm a desvantagem de terem um hd menor e não virem com leitor/gravador de DVD.

Quer alguns exemplos? Bom que tal esse aqui, ou esse outro e ainda esse outro notebook aqui. Mas fique atento aos preços. O equipamento que comprei, com tela de LDE, 320Gb e um processador pouca coisa melhor que o anunciado (era prá vir Dual Core T4300, veio T4500), saiu por menos de 999,00. Um dia depois já tinha preço 200,00 reais maior. Na mesma semana, um dos grandes portais de e-commerce brasileiros oferecia um notebook com processador Core i3 na mesma faixa de preço. Ou seja: pesquise muito antes de fechar qualquer negócio.