Archive for junho, 2009
Diploma de jornalismo: STF escreve torto, por linhas certas…
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Desde a faculdade, cursada na base do arrocho e do sacrifício, sou contra a exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Sim, a minha profissão. Era antes uma opinião mais empírica que filosófica. Afinal, quando precisei de um emprego, meu primeiro, bati na porta de um jornal em minha cidade. Jornal pequeno de fato, mas o maior da região. Era uma vaga de “repórter e redator”. O anúncio estava nas páginas de classificados do próprio veículo. “Paga-se proporcional à capacidade”, dizia; lembro-me até hoje. Aos 17 anos, eu nem sabia que era preciso um diploma. Na entrevista, uma senhora muito simpática e falante — a editora — depois de perguntar minha idade e retrucar que “obviamente você não é formado, né?”, como se precisasse da resposta, deu-me a chance de escrever um texto. Ao me sentar à frente da máquina de escrever (sim!), confessei que também não tinha curso de datilografia. Com a paciência de um editor com um jornal diário para fechar e uma redação composta de apenas mais dois profissionais, ela ainda teve que explicar que aquilo que eu faria era um “copydesk”, “que é reescrever um texto com suas palavras”, e me mostrou o que era e como usar aquela folha pautada, a lauda, que até hoje é parâmetro de produção de texto em algumas redações (obviamente, convertida em “número de caracteres” do editor de textos). Também me lembro do assunto do “copydesk”: uma matéria do jornal sindical “Folha Bancária” onde informava-se que prosseguiam sem acordo as negociações em torno da campanha salarial dos bancários. Eu precisei de vinte minutos para escrever uma lauda. Acho que ela percebeu que os primeiros dez minutos gastei aprendendo a usar a máquina de escrever. Quando entreguei, incrédula, ela ironizou: “mas você copiou de onde? Trouxe pronto?”.
O texto foi publicado no dia seguinte e eu fiquei com a vaga, disputada com outras duas jornalistas formadas. O fato é que se havia uma coisa que eu sabia fazer, essa coisa era escrever. Mais que isso, sabia colocar no papel uma idéia com início, meio e fim, sem muitos erros de concordância ou ortografia. Já sabia ler e interpretar textos, nas suas linhas e entrelinhas, fruto de uma vivência de nerd pobre, míope e CDF, cuja maior parte do tempo fora da escola ocupava lendo jornais do dia anterior, revistas, bulas de remédio ou conversando com a mãe questões da política local que interferiam no seu emprego de funcionária pública. Eu conhecia os nomes de secretários municipais, vereadores, prefeitos, deputados e outros figurões da política local.
Da necessidade nasceu o fascínio pela profissão. Todo dia uma pauta diferente. Novos conhecimentos e desafios à curiosidade. Entrevistas! Ah, como eu tremia na primeira vez que entrevistei alguém ao telefone(!). Dois anos e meio depois eu recebera um convite para trabalhar na assessoria de imprensa de um grande sindicato na região. Nessa época eu já estava matriculado na faculdade de jornalismo, que resolvi fazer depois de abandonar duas matrículas em universidades públicas — Engenharia Elétrica e Ciência da Computação –, por descobrir que provavelmente conhecimentos tão específicos não seriam suficientes para aplacar minha curiosidade por temas tão diversos.
Foi mesmo na faculdade que a opinião contra a obrigatoriedade do diploma tornou-se filosófica. Os dois primeiros anos em comum com publicidade e propaganda, e relações públicas, com professores de boa vontade e conhecimento, mas em geral distanciados do mercado, foram um balde de água fria. Nos anos finais, da opção de fato por jornalismo, vivi um pouco mais de dinamismo, sobretudo nas técnicas específicas para cada mídia — jornal impresso, rádio e TV. Elas ajudaram a revigorar em parte o gosto pela formação. Ainda assim, pesou contra a constatação de que boa parte dos colegas sairia da faculdade com um diploma debaixo do braço, mas nenhuma noção de como organizar suas próprias idéias, ou os relatos dos fatos, para apresentá-los de forma compreensível, imparcial ou não, conforme o caso. E, para piorar, não havia aval das entidades de classe para a prática do estágio, por receio dos noviços ocuparem postos de jornalistas formados nas redações. Como se isso já não ocorresse ou fosse um problema exclusivo do jornalismo.
O gosto por ciências em geral, sobretudo, e a filosofia nerd de buscar uma maior profundidade no conhecimento de tudo quanto me interesso (e o leque é bem razoável), ao longo dos anos contribuíram para solidificar a certeza de que conhecer as técnicas não impedem o jornalista de escrever bobagens homéricas. Muitas vezes um desserviço à informação, noutras, pior, um risco à sociedade.
Com a Internet e a Era da Informação, as coisas se complicaram um pouco. Blogs e blogueiros, interação, informação sob demanda e em tempo real começaram a promover, gradativamente, a obsolescência dos veículos tradicionais. Sim, eles estão se tornando rapidamente ultrapassados. Assim como está se tornando rapidamente obsoleta a profissão de jornalista, ao menos como a conhecemos. Veículos e profissionais (diplomados ou não!), com experiência inegável e um bocado de incentivo da conjuntura, estão buscando se adaptar à mudança. Os jornais abrem suas páginas na Internet a comentários, tal qual o fazem, desde que nasceram, os blogs. As TVs passam a exibir imagens captadas por celulares de telespectadores que estavam no local no exato momento da informação. Os podcasts começam a pressionar as rádios convencionais, espremidas entre o fascínio da imagem e a morosidade do impresso, mas sem a profundidade e o conhecimento de causa dos “podcasters” especializados.
Se quero dizer com isso que veículos e jornalistas vão acabar? De forma alguma. Vão, sim, ser superados nos modelos tais quais nos acostumamos com eles. Darão origens a outras formas de comunicação e comunicadores. E esses comunicadores, não precisarão de diploma? Bem, precisarão sim dominar as técnicas desse “novo jornalismo” que está surgindo. Mas, mais que isso, precisarão conhecer muito bem DAQUILO que falam e escrevem. Sob esta ótica, a formação para saber COMO falar e escrever é meramente técnica; perfeitamente assimilável num curso de duração reduzida, de habilitação.
Atualmente, a grande maioria das faculdades enrola seus alunos durante dois anos administrando conhecimentos que, na prática, quando muito, os preparam para falar e escrever SOBRE comunicação. E não digo PENSAR a comunicação. Nem mesmo corrigem deficiências elementais, que estão vinculadas às evidentes limitações da educação básica e ensino médio no Brasil. Não é à toa que a maioria dos veículos tem um manual próprio de redação para garantir o exercício do bom português no dia-a-dia dos profissionais.
Neste contexto, a formação especializada na área de afinidade ou interesse é — e sempre foi — o diferencial do bom jornalista. E as redações estão cheias deles sim. Para melhor abordar a economia, cursaram Economia. Para falar com propriedade de política, estudaram História e Ciências Sociais. Para falarem sobre áreas técnicas, complementaram seus estudos com uma segunda, às vezes terceira faculdade. E mesmo quando não tiveram a oportunidade de estender sua formação, trataram de buscar a especialização auto-didata ou o background cultural necessário para manterem a empregabilidade. O fato de seus diplomas de jornalismo tornarem-se não obrigatórios não os torna dispensáveis. O que os torna imprescindíveis é sua propriedade na abordagem, em primeiro lugar, e depois, aí sim suas técnicas jornalísticas. Há outras profissões que atualmente não exigem diploma, como é o caso de publicidade. Mas em geral os profissionais diplomados ocupam as melhores posições no mercado. Não raro, o diploma veio mesmo depois da posição, como um complemento, uma expansão de horizontes e conhecimentos necessários ao melhor desempenho.
Tomada por este ponto de vista, a decisão do STF — a despeito da superficial argumentação de defensores e opositores da obrigatoriedade do diploma durante o processo — acertou o alvo. A linha estava certa, mas a escrita, torta. Justificar que o incorreto exercício da profissão de jornalista não representa risco à sociedade é passar a borracha em episódios marcantes como a Escola Base ou Ibsen Pinheiro, para citar dois dos mais notórios. Da mesma forma, defender que a obrigatoriedade do diploma ajuda a coibir esse tipo de erro é, se não uma leviandade monumental, no mínimo um ledo engano. A obrigatoriedade representa hoje, isso sim, alguma — e não muita, já que os veículos usam mil e uma estratégias para burlar isso — reserva de mercado para os profissionais. Como tal, ao menos garante algum conhecimento extra ao jornalista, que obrigatoriamente frequenta um curso de nível superior. Mas não garante que este terá o conhecimento apropriado para abordar os assuntos de que vai tratar no dia-a-dia. Nem ao menos que saberá traduzir isso ao seu público, com ética e precisão, usando as ferramentas da linguagem.
Neste cenário, em defesa da liberdade de expressão, direito constitucional, simplesmente exterminar essa reserva de mercado sem debater o cerne da questão é aprofundar o problema. Com a proliferação de cursos de jornalismo (e de muitas outras áreas) de fachada, de faculdades “caça niqueis”, e, pior, sem um plano de recuperação do ensino fundamental e médio, continuaremos a despejar no mercado profissionais despreparados, sem senso crítico, e incapazes de organizar ou expor uma idéia com início, meio e fim. E esta não é uma realidade vivida apenas pelo jornalismo. Infelizmente, todas as áreas do conhecimento humano no Brasil padecem do mesmo mal. E esse diagnóstico soa até como um consolo para os futuros novos jornalistas diplomados, já que, na prática, é essa deficiência que ainda mantém sua empregabilidade nas redações.
Segunda e última chance para o Amarok2
0No post anterior falei sobre o uso do Amarok para administrar podcasts no Linux. Estou usando o Amarok 1.4, mas o novo padrão no Ubuntu (e qualquer distro com KDE4) é a versão 2.X.
Recentemente foi lançada a versão 2.1. Já havia tentado a 2.0 sem sucesso. Além de não importar as playlists antigas corretamente, não reconhecia os feeds cadastrados na versão anterior (meus Podcasts! Não!) e não era muito claro quanto à forma de conversar com os tocadores mp3 ou mídias externas.
Na versão nova, apesar de algumas melhorias de acabamento na interface, esses problemas continuam. Ele simplesmente não é intuitivo e é pouco prático. E não resgata os feeds! Resultado, voltei para o Amarok 1.4.
No processo, descobri também (e para meu desespero) que o procedimento anterior para instalação do Amarok 1.4 não funciona mais.Os repositórios mudaram. Buscando entre os links do ubuntu.org e do ppa.launchpad.net, achei o caminho:
Desistale o amarok2.X com sudo apt-get remove amarok
Edite os repositórios em /etc/apt/sources.list acrescentando:
deb http://ppa.launchpad.net/bogdanb/amarok14/ubuntu jaunty main
deb-src http://ppa.launchpad.net/bogdanb/amarok14/ubuntu jaunty main
Adicione a chave GPG do repositório com
sudo apt-key adv --recv-keys --keyserver keyserver.ubuntu.com \
0x1d7e9dd033e89ba781e32a24b9f1c432ae74ae63
Faça um sudo apt-get update
E instale com sudo apt-get install amarok14
Pronto. De volta ao bom e velho Amarok
Crédito para o autor da “regressão” salvadora, o Bogdan Butnaru
https://launchpad.net/~bogdanb/+archive/amarok14
Controle remoto bluetooth para Linux com o Palm Centro
0Com uma TV de telona na sala, com entrada VGA para micro, gastei um tempo procurando uma forma de arranjar um controle remoto para o notebook. Afinal, é pouco prático dar pausa, avançar ou retroceder quando se tem que levantar, ir até o note, às vezes tirar do modo tela-cheia, usar duas ou mais teclas de atalho etc. Além disso, vez ou outra uso o note em apresentações e já tinha sido enfeitiçado pela mágica de usar um celular bluetooth como auxiliar nesta situação.
No início era um SonyEricsson z530. Uma mão na roda, já que o modesto aparelhinho vem com um aplicativo nativo que simula perfis de hardware denominados “hid” (humam interface devices – ou dispositivos de interface humana). E em vários sites encontrei diferentes layouts hid que se ajustavam bem à maioria dos aplicativos que uso. Quando não encontrava, sempre havia a possibilidade de usar um layout genérico de teclado.
Com o a1200 da Motorola que o seguiu, consegui a mesma eficiência usando o opensource AnyRemote (e a interface Kanyremote, para KDE), que interage com uma aplicaçãozinha J2ME (java para celulares) no aparelho.
No começo deu um pouco de trabalho conseguir uma conexão com o notebook, mas encontradas as particularidades de endereçamento e portas (neste caso, o “canal” bluetooth), a dupla funcionou perfeitamente. O bacana dessa solução é que além de muitos perfis prontos para uso, não há necessidade de carregar diferentes layouts de tela para o controle remoto no celular. O programa no computador se encarrega de mandar o layout dos botões conforme a aplicação em uso.
Agora, no Palm Centro, ainda não descobri como, ou SE, é possivel usar a parte celular (j2me) no telefone. Mesmo com a máquina virtual java da IBM no Centro, o aplicativo roda mas não se conecta ao computador.
Eis que então encontrei o palmBTremote. Um script em Perl rodando no computador e um pequeno programa no Palm permitem o acesso remoto ao micro.
Embora trabalhe com o mesmo sistema de perfis, estes estão embutidos no próprio cliente para palm e são bem poucos; apenas para Totem, MythTV e Rythmbox. Mas dois perfis genéricos, para mouse e teclado, resolvem a maioria das demais situções.
A instalação é bem simples: com as bibliotecas Perl instaladas em qualquer distribuição linux, basta rodar o script palmBTremote-linux.pl no computador alvo e abrir o palmBTremote.prc no Palm. E usar o micro/note no datashow, ou como DVD-Player, ou melhor ainda, como BlueRay player.
Um detalhe importante é que é preciso ter o pacote xautomation e a biblioteca libnet-bluetooth-perl instalados em sua distribuição linux favorida. Ao menos no Ubuntu eles não estão instalados por padrão. Mas nada que um apt-get install não resolva rapidinho
Ouvindo (e administrando) podcasts com o Linux
0No último ano e meio, até abril último, precisei encarar diariamente o trânsito maluco de São Paulo. No mínimo uma hora de ida, outra de volta. Foi neste período que converti-me num dependente de podcasts. Sobre todos os assuntos. Virei fã e ouvinte assíduo do ótimo (e “[i]hors concours[/i]“) Nerdcast, do NowCafé, Viver Digital, RapaduraCast, Guanacast, Papotech, Vladimir Campos PodCast, o Escriba Café apenas prá citar alguns…
E eventualmente encontrando na net postagens e tutoriais que falam sobre formas de acompanhar podcasts, é impossível não reparar a quase unanimidade que é o iTunes nas recomendações. Também, pudera: o iPod é referência como tocador, e emprestou nome até para o termo “Podcast”. Mas é fato que há várias ferramentas prá fazer isso, e pode-se destinar desde um mp3 player genérico até outro tipo de tocador. Mais complicado ainda quando se trata de conseguir fazer isso no Linux. Ou não…
No meu caso, inicialmente ouvia pelo tocador de CD/MP3 do carro, usando um pendrive na entrada usb ou o um cartão de memória SD no slot que também acompanha o player automotivo. (Não, nada de tocador caro e de marca: um modelo genérico, realmente muito barato, e ainda comprado em suaves prestações num grande hipermercado. Até bluetooth para falar no celular por viva voz ele tem, e saiu por menos de R$ 200,00!).
Para administrar os podcasts, o Linux (atualmente estou usando o Kubuntu, mas comecei esse processo usando o OpenSUSE) conta com algumas ferramentas. A maioria dos tocadores de mídia mais conhecidos é capaz de funcionar como agregador, baixar e transferir os arquivos de audio para pendrives, cartões de memória, tocadores mp3 e, vejam só, iPods
Mas por uma questão de facilidade de uso, integração com o KDE, interface etc, minha escolha é o Amarok. Já era meu tocador favorito no desktop e no note, porque realmente é muito bom! Basta cadastrar o feed, configurar para baixar o último episódio ou episódios e de quanto em quanto tempo o Amarok fará a verificação. Simples assim. Automaticamente, novos episódios são colocados na lista para transferência para serem passados ao tocador/pendrive/iPod etc quando você conectá-lo ao micro com o Amarok aberto e clicar “Conectar” e depois “Transferir”.
[Atualização]Este post já havia sido foi escrito há várias semanas, mas acabei não liberando por qualquer razão. Hoje, quando retomei, achei que caberia um “ps” com observações: recentemente tentei usar o novo Amarok 2.1, após a atualização do Kubuntu para a versão baseada no Ubuntu 9.04 – o “Jaunty”. Mas não gostei. Reescrito, ainda tem que passar por muitas melhorias para chegar aos pés do seu antecessor, o Amarok 1.4. Que, aliás, ainda é instalável mesmo sob KDE4 e no Jaunty, com essa dica: http://nomad.ca/blog/2009/apr/3/amarok-14-jaunty-ubuntu-904/. E praticamente deixei de lado o tocador automotivo. É ainda mais prático ouvir no Palm Centro que peguei na faixa recentemente numa renovação de contrato com a Operadora de celular… Mas isso é assunto prá outro post![/Atualização]
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