Torrar a Terra

Depois de uma série no Fantástico, o brasileiro médio acorda realmente preocupado com a possibilidade de termos por aqui um “O Dia Depois de Amanhã” às avessas. Mas a crescente preocupação européia e os cada vez mais divulgados estudos sobre o Aquecimento Global mostram que este não é apenas um fenômeno de mídia, muito menos apenas brasileiro.

O fato é que, ao que parece, o mundo — ou o resto dele — está sendo pego no meio de um tiroteio entre duas potências: a Comunidade Européia, com uma cada vez mais apurada consciência ecológica, e os Estados Unidos, e sua economia monstro e consciência à lá Homer Simpson.

Sim, a comparação já é de início tendenciosa porque desde Kyoto o assunto está engasgado. E a coisa começa a ficar ainda mais quente. O The Guardian divulgou a ação da American Enterprise Institute (AEI), um thinkthank (braço “científico”¹) da petrolífera ExxonMobil (Esso), por sua vez muito ligada à administração George W. Bush, que estaria pagando pesquisadores para disseminarem desinformação e fazendo lobby contra qualquer medida de controle de emissão de poluentes…

A reverberação eu comecei a pescar no BlueBus, que pescou no RSUrgente, que “linka” o Bloco da Esquerda e este ao Ecoblog .
Todos eles estão comentando a animação em flashTOAST THE EARTH, peça da campanha que está denunciando essa sacanagem.

Essa disputa ainda vai render muita discussão. Lembrei-me até do livro “State of Fear” (Estado do Medo), publicado pelo escritor Michael Crichton (autor vários bestsellers, todos romances com pano de fundo científico). O vilão, na sua história, era o fanatismo ecológico manobrado por políticos oportunitas, propagando o medo de cataclismos globais. Mais ou menos a situação em que nos encontramos agora só, que, mal-comparando, Crichton estaria do lado da Esso…

Resta saber até onde vai a verdade e começa o fanatismo… Mas que tem coisa ai, tem… Pela ênfase com que os EUA deram seu recado sobre o futuro da produção de etanol em parceria com o Brasil, há cheiro de realinhamento de produção e mercado no ar. Claro, porque pode ficar realmente difícil para Bush continuar mantendo a atual postura… Pena que os mercados nunca consigam realmente ser muito inovadores, porque isso aqui sim seria um avanço na ação ambiental

(¹ Não imagino uma boa tradução de “thinktank”, expressão que tem se tornado comum no meio científico. Numa “interpretação” livre, é algo como “fortaleza de pensadores”…|-|)